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Aug

Amor autista

Oi gente, tudo bem?

Na primeira vez que conversei com meu marido ele foi super sincero a respeito da sua vida. Ele contou que era divorciado e tinha filho autista. Na época eu não fazia ideia do que era autismo. A única coisa que eu sabia era que o filho da vizinha de uma amiga minha era autista e todas as noites batia a cabeça contra a parede por horas a fio. Isso deixava minha amiga muito preocupada e cansada porque ela não conseguia dormir direito. Eu não fazia ideia que o autismo é um espectro que engloba uma ampla gama de níveis de funcionamentos e transtornos.

Nós casamos, o tempo passou, a Zahrinha nasceu, as férias de verão do Adam começaram e ele veio passar algumas semanas conosco (acompanhado pela mãe dele, claro!). Fazia apenas 30 dias que eu tinha parido a Zahrah, estava cansada mentalmente e fisicamente devido à nova rotina de troca de fraldas, mamadeiras e noites mal dormidas. Confesso que foi bem desgastante presenciar as crises que o Adam tinha. O pior era ter pessoas estranhas dentro de casa em um período tão delicado. Toda a situação me deixava em um estado que beirava a loucura. Eu não tinha saúde mental para lidar com tudo aquilo. Juro que não tinha! Mesmo assim tudo correu em perfeita paz e harmonia. 

A visita acabou e eu corri atrás de informações sobre o autismo. Eu precisava entender as limitações, as dificuldades, as sensibilidades, as crises, as obsessões e os toques que as pessoas autistas tem. Pedi a Deus que me desse força e sabedoria para administrar tudo isso. Eu queria muito que ele se sentisse a vontade comigo, e, se, possível, viesse a gostar de mim.

O tempo passou e chegou o dia de uma nova visita do Adam e sua mãe, e depois outra, e outra, e… hoje em dia já tiro de letra. Não fico mais à beira de um ataque de nervos. Agora entendo seus jeitos e trejeitos. Aprendi a amá-lo. O mais engraçado é que ele não só aprendeu a gostar de mim como também aprendeu a me respeitar. Por incrível que pareça ele me obedece. Falo com ele uma vez só e pronto, ele obedece de imediato. 

A Zahrinha ama a companhia do Adam. Os dois correm e brincam pela casa. Se entendem ao seu modo. Ela abraça, beija e divide tudo com o irmão, que algumas vezes ri e em outras faz de tudo para se desvencilhar dos beijos e abraços da irmã (autistas não gostam de muito contato físico). A Zahrinha pula em cima dele, fala sem parar e diz que ele é um bom irmão e ela também é uma boa irmã (bem modesta kkkk). Às vezes ele fala algumas palavras soltas, mas geralmente fica perdido em seu próprio mundo.

No fim das contas todos nos damos bem e nos respeitamos, o que é mais importante. Tem pessoas que não entendem como posso me dar tão bem com a ex do meu marido ao ponto de aceita-lá em minha casa. Na verdade não peço que as pessoas entendam, peço apenas que respeitem.

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PS: Na primeira foto estão a Zahrinha, a Zahira (mãe do Adam) e o Adam. Na segunda foto a Zahrinha e o Adamestão  brincando no quintal de casa. 



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Uma resposta para "Amor autista"

Patricia
09-09-2016 @ (23:41)

Emociante lê e conhecer um pouco sobre suas experiências. beijo gata

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